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amigos_para_sempre

rodrigobaia por Rodrigo Baia

Amado furiosamente pelo Pai e participante de Sua missão. Pastor, publicitário, teólogo em formação e totalmente dependente da Graça que não se pode comprar.

De carona com os termos “geração coca-cola” e “geração fast food”, pensei a respeito da liquidez da vida e da velocidade com que as coisas se esvaem por entre os nossos dedos nos dias de hoje. É interessante ver que ter coisas e ser alguém se confunde nesse processo e tudo acaba virando uma coisa só. Acabo vivendo pra ter e tendo pra ser e o contrário disso é alienação.

Em um contexto onde o tempo virou artigo de luxo, tudo tem que ser bem administrado. E quando digo administrado, quero dizer, “se for para investir tempo em algo, que este me traga benefícios”. “Que me faça rir, pois estou estressado, que me faça chorar aliviado, pois estou muito tenso, que desvie o foco dos meus problemas, porque tenho muitos e não me venha com mais os seus, porque preciso descansar”.

Os tablets e celulares possuem mais o nosso olhar do que as pessoas.

É preferível investir tempo em nada a olhar nos olhos e se doar por inteiro ao seu próximo estabelecendo um vínculo real de amor. E o pior, não para por aí.

O maior problema é que ainda que haja envolvimento, é o fazer por interesse, como qualquer outro tipo de entretenimento, escondendo as deficiências, tirando a atenção do problema central e não tratando nada. Quando os atritos começam a surgir nada é revisto e quando o é, tem limites, “vou te dar mais uma chance de atender as minhas expectativas, afinal você é meu melhor amigo, mas não pisa na bola, senão já era”.

“Se a amizade for baseada em expectativas do que o outro pode fazer por você, então nunca encontrará um amigo” (Ariovaldo Jr.)

Daí começa a busca pelo novo “melhor amigo”, em lugares diferentes, com pessoas que fazem coisas diferentes e que principalmente, não fazem o que você faz. Um novo ciclo de busca se inicia atrás daquele(s) que finalmente se encaixe(m) nas expectativas. Deixe eu te revelar algo! Não existe na face da terra, alguém que tenha exatamente o seu molde e que atenda estritamente todas as suas necessidades.

Muito, além disso, existe a possibilidade de tornar-se “moldável” e pôr fim à busca pela satisfação a qualquer custo para encontra-la na do outro. Na carta de Paulo aos Filipenses no capítulo dois, ele instiga ao suprimento do amigo e ainda orienta a considerá-lo mais importante do que a si mesmo.

Enquanto o nariz estiver apontando pra baixo e as mãos apenas estendidas para o ar e nunca para o lado, o que reinará será a ingratidão e a insatisfação. Quando conseguimos perceber o perfume do outro e a partir disto, enxergá-lo, pode ter certeza, estamos no caminho da satisfação plena.

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